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15 outubro 2010

Formação: O poder do diálogo no matrimônio

Muitas vezes, as pessoas se fecham para quem se ama

A última Encíclica do Santo Padre, o Papa Bento XVI, “Caritas in Veritate”, de 29 de junho de 2009, apresenta uma proposta de vida, na qual as pessoas devem viver a verdade. Esta verdade deverá ser procurada, expressa e encontrada na caridade; e toda caridade precisa ser compreendida, avaliada e praticada à luz da verdade. O Papa usa a expressão “ágape” para falar de caridade e “logos” para dizer da verdade. E afirma que da verdade (logos) sai a palavra dia-logos: diálogo, comunicação, comunhão. A comunhão é fruto do diálogo.
No matrimônio, o diálogo entre os cônjuges é a fonte para que o amor se alimente, cresça e frutifique em obras na própria vida do casal e também frutos de transformação da sociedade. A base do diálogo é e será sempre a verdade, mas a forma de se dizer a verdade precisa ser a caridade, com respeito à outra pessoa. Vemos muitos casais em crises conjugais por causa da falta de diálogo, por não expressarem livremente a sua opinião, causando sempre a depressão no outro, que se sente sufocado por viver a partir da verdade do cônjuge, sem poder se dizer. Eu diria até sem ser valorizado como pessoa. Por isso, o diálogo é fundamental no matrimônio.
O que seria, então, o diálogo? Arrisco afirmar que a base é a escuta; não o falar. Para se aprender a dialogar com os outros é preciso aprender a ouvi-lo sem qualquer preconceito, sem querer corrigi-lo ou interferir em sua fala. Toda pessoa precisa ser ouvida, precisa ter alguém que a escute e dê atenção às suas aspirações, sofrimentos, anseios diários... Enfim, todos precisamos que alguém nos acolha com amor e nos escute por um momento do dia. Acho este o ponto essencial no diálogo: um fala e o outro escuta, depois o outro fala e o primeiro escuta. O fruto do diálogo deverá ser o consenso, uma opinião comum.
Quando tudo isso não acontece, as pessoas acabam se fechando e não se comunicando com quem ama, porque este não soube ouvi-la ou, então, interpretou a sua fala de forma errônea, distorcendo aquilo que ouviu e reagindo de forma agressiva ou indeferente.
O centro do diálogo é a busca da verdade, e a verdade é Jesus Cristo. Nele podemos encontrar o ponto de unidade para o diálogo, por isso a importância do casal rezar juntos. Quem reza junto consegue conversar e dialogar de forma madura, com respeito. Podemos até discordar da opinião dos outros, mas é sempre bom separar o fato da pessoa. Separe e preserve sempre a pessoa; discuta opiniões. Toda discussão tem de ter como base o amor.
A verdade dita sem amor torna-se agressiva e não produz o efeito de ajuda para a melhora do outro. Se aprendermos a viver o diálogo pela verdade, mas ajustado ao amor de Deus, poderemos ser mais felizes no nosso matrimônio. Leia a Encíclica do Papa Bento XVI.
Deus o abençoe!
Diácono Paulo Lourenço
http://blog.cancaonova.com/diaconopaulo/

11 setembro 2010

Amar e se comprometer com o outro

- Amor comprometido é amor gratuito -
O amor é sempre um ato da pessoa humana, que, tocada pelo Amor de Deus, se decide por assumir uma postura nova, uma nova forma de viver: amar sempre. Deus se ocupa em derramar a Sua graça e Sua ternura em toda criatura, e a cada instante podemos tocar nesta realidade: Ele demonstra o Seu amor por nós. A Carta de São Paulo aos Romanos apresenta a ideia do ser humano conhecer a Deus pela Suas obras (cf. Rm 1,20) e a maior obra do Altíssimo é a entrega do Seu Filho como prova de amor pela humanidade.
Jesus é o amor do Pai personificado e pessoalizado. Quero destacar o fato de esse amor ser comprometido, isto é, Deus em Jesus Cristo vai até as últimas consequências para provar que nos ama de verdade. Um amor comprometido com o futuro, com a salvação, com a eternidade de cada um de nós.
Esta também é a forma que devemos buscar para amar: comprometendo-nos com o outro e nos derramando em seu favor a cada instante.
Vemos que hoje as pessoas estão mais ligadas a outras por conta de seus interesses pessoais, buscando desfrutar aquilo que a outra tem para lhe oferecer. Acredito que isso não é amor, pois o amor é ato da minha pessoa para a outra sem esperar retribuição ou qualquer forma de recompensa. Amor comprometido é amor gratuito.
Os relacionamentos humanos necessitam se espelhar no amor de Deus para que exista o amor verdadeiro neles. Quem ama se esforça para que o outro cresça e seja feliz. Comprometer-se com o outro é a forma mais autêntica de amar.
Quando falo de esforço isso quer dizer que requer renúncia de si próprio, mas se Deus é quem dá sentido a este amor, ele é grandioso. Faça uma reflexão hoje sobre a forma de amar que você tem adotado em seus relacionamentos. E se for preciso adote o modelo do comprometimento, de assumir o outro em todas as situações, enfim, de amar como Jesus nos amou.
Deus o abençoe!
Diácono Paulo Lourenço
http://blog.cancaonova.com/diaconopaulo/
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