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13 março 2011

Formação: Como acreditar naquilo que não toco?


Ter fé não é um ato mágico; exige de nós esforço

"A fé é o complemento aperfeiçoado da razão" (Manuel García Morente).
Nem sempre ter fé é fácil, muitas e muitas vezes, o fato de acreditar em Deus exige de nós uma alta capacidade de raciocinar e ponderar aquilo que é provável, possível ou impossível. Por que digo isso?!
Na sociedade em que vivemos a concepção de fé é completamente deturpada. Como se para tê-la fé, precisássemos parar de raciocinar ou pensar em tudo o que nos acontece. Como se o fato de termos fé tirasse de nós a capacidade de questionar o mundo ao nosso redor e até, muitas vezes, a nossa própria crença.
Afinal, a fé precisa passar pelo processo de construção e desconstrução; a fé que tínhamos quando crianças, precisa ser desconstruída, para construirmos uma fé madura. Para esse processo acontecer, a própria vida traz os seus desafios, suas frustrações, suas alegrias, seus fracassos e seus sucessos. A própria vida é matéria-prima para o amadurecimento da nossa fé. Nunca poderemos tocar a Deus somente usando da razão, mas com ela podemos intuí-Lo; a partir disso, a fé nos leva a dar um salto de qualidade e atribuir a Deus um papel que somente a razão não nos permite fazer.
Para facilitar o entendimento do que digo, Deus não realiza um milagre do “nada”. Ele sempre parte do esforço do homem, mesmo que esse esforço seja uma simples oração. Para acontecer um milagre é necessário nossa participação. Deus Pai se revela, mas também se faz necessário um esforço do homem. Quando conhecemos uma pessoa e a elegemos como especial para nós, é natural o processo de conhecê-la e dar-se a conhecer. Na experiência com o Altíssimo acontece algo semelhante: O buscamos e Ele se revela a nós; O procuramos mais, Ele se revela mais ainda. Nunca paramos de conhecê-Lo.
Agora, se mesmo com toda essa argumentação o ato de ter fé lhe parecer muito difícil, quero convidá-lo para, de maneira muito sincera, olhar para o que está ao seu redor e perceber os “rastros de Deus”. Veja o pôr-do-sol em uma praia, o voo dos pássaros, a terna relação entre mãe e filho e, com certeza, você perceberá que são fatos e gestos que fogem de uma explicação cientifíca ou racionalista, permeados pela beleza e o afeto que surgem de Deus. Na sua vida, olhe com coragem e perceba os momentos que, muitas vezes, são difíceis e doloridos, mas Deus, de alguma maneira se deixa ser encontrado.
Dê a Deus o crédito que a Ele é devido, sabendo que ter fé não é um ato mágico, mas ao contrário, exige de nós um esforço enorme. Porque acreditar em Deus é simples, mas não fácil. Exatamente porque se a vida fosse feita de coisas fáceis, nunca conseguiríamos ser homens e mulheres de verdade. Ter fé significa, acima de tudo, relacionar-se com Aquele que deseja que o busquemos com toda a nossa força e o nosso coração: Deus!
Luis Filipe Rigaud
cn.luisfilipe@gmail.com

12 novembro 2010

Formação: Alimentar a esperança é dinamizar a vida

O Sol só não nasce para quem não sai da cama.
Deus nos quer cada vez melhores, seja como pedreiros, seja como médicos, garçons, advogados, cozinheiros, etc.. Todos têm seu espaço neste mundo, por isso não é preciso brigar para tomar o lugar do outro.
“O sol nasce para todos”, diz o povo. Ele só não nasce para quem não sai da cama. Assim, temos que ser os melhores em tudo e dinamizar a nossa vida com a esperança em Deus. Não podemos ser como os bonecos infláveis que o vento sacode para todo lado, nem como avestruzes que enterram a cabeça na areia para fugir da tempestade. Não devemos fugir dos problemas, e sim, enfrentá-los e resolvê-los com a fé em Deus.
Além disso, é muito importante evitar pensamentos negativos, porque eles anulam os positivos e aniquilam a esperança e a felicidade, além de criarem um clima de desânimo e tristeza: “Nada dá certo para mim”. Mais ainda: temos que observar e conviver com pessoas positivas, otimistas, pois elas fazem bem a nós.
Gosto, por exemplo, de me encontrar com o Frei Hans, da Fazenda Esperança, uma vez que, apesar dos muitos problemas, ele sempre está satisfeito com tudo. Ele abre casas de recuperação para drogados no mundo todo e sempre está feliz. Cada vez que o observo, digo para mim mesmo: “Eu não posso ser pior”. Vale a pena estar com ele, porque ele transmite alegria e esperança a todos.
Não podemos ser uma Igreja de pessimistas quando o nosso Deus é o Deus das vitórias. Ele nos ama. Tudo o que nos acontece é para o nosso bem, diz a Palavra de Deus (cf. Rm 8,29); se não for para o nosso bem material, o será para o nosso bem espiritual; é essa questão que muitos não entendem.
Até mesmo a morte depende de como a encaramos. Para quem não tem o olhar da fé é uma tragédia, uma desgraça, um absurdo, um fim; mas para quem acredita na ressurreição para a vida eterna com Deus é diferente.
Se engatamos o carro na marcha à ré, nunca andaremos para frente. Esse é o problema de muitos: "engatam" a vida no pessimismo, na derrota, na lamúria, e ainda querem ser felizes, ir para frente, mas não vão de jeito nenhum, pois devem "engatar a primeira marcha". O pessimista só sabe olhar o passado. É incapaz de ter um olhar otimista para o futuro e se enche de medo, que é o microscópio ampliador do perigo: ele faz um formiguinha parecer um boi e nos assusta. Cultivamos tanto o mal que acabamos incapazes de fazer o bem. Ficamos paralisados, inertes.
Desse modo, devemos alimentar a esperança a todo custo e não nos render ao pessimismo e à tristeza de jeito nenhum. A vida também é assim: se acharmos que morreremos, morreremos mesmo, mas se lutarmos, encontraremos a vida, a solução.
Texto extraído do livro "Animados pela força de Deus"
Wellington Silva Jardim
Fonte: canção nova

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