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22 maio 2014

Confirmado show de Padre Fábio de Melo dia 13 de setembro em Caicó


Caicó receberá pela primeira vez, no dia 13 de setembro, a partir das 21h, no Estádio Senador Dinarte Mariz – “Marizão”, o show do Padre Fábio de Melo. Promovido pela Maja Eventos, o show, chamado “Queremos Deus” emociona e comove multidões, com mensagens de amor e paz. Além de sucessos antigos, o repertório conta com músicas inéditas, incluindo “Seja Bem-Vindo”, que recepcionou o Papa Francisco na sua vinda ao Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro, em 2013.
O sacerdote católico é cantor, compositor, apresentador, poeta, escritor e professor, ligado à Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. Com 16 anos de carreira, lançou 16 CD’s e 3 DVD’s, consagrando-se como um dos maiores vendedores de disco do país. Fábio de Melo faz uma média de 100 shows por ano, e já recebeu diversos prêmios, entre eles: o melhor intérprete religioso, compositor e destaque do ano em 2008 e 2009. Segundo a organização do evento, além de promover a integração entre as diversas congregações e grupos religiosos, o show marcará o ano em que a Diocese de Caicó celebra 75 anos de fundação.


03 dezembro 2011

Formação: Arranque as amarras dos seus olhos



Quantas graças grandiosas você alcançou que cabem em duas palavras: “Obrigada, Senhor!” A palavra é a casa do significado, o sentido de todas as coisas cabe nas palavras. Ao sentido de quem escuta, um “Obrigada, Senhor!” pode não significar muita coisa, mas aos lábios de quem professa, tem um grande valor.
Tenho pensado na dificuldade que é ser cristão nos tempos de hoje, ter uma postura cristã nos lugares onde  moramos, que  frequentamos. Está tudo muito nebuloso, já nos perdemos de muitos referenciais. Muitas vezes não conseguimos chegar ao “Obrigado, Senhor”, porque nos falta discernimento naquilo que pedimos.
Hoje, Deus vem curar a cegueira de dois homens, dar a eles a oportunidade de voltar a ver. É interessante pensar que ver não é só visualizar, mas aperfeiçoar um sentido, uma visão mais profunda, aguçar em nós algo mais profundo do que simplesmente visualizar uma pessoa ou algo.

22 março 2011

Formação: Eu, quando visto pelo outro.


Quem sou eu? Eu vivo pra saber. Interessante descoberta que passa o tempo todo pela experiência de ser e estar no mundo. Eu sou e me descubro ainda mais no que faço. Faço e me descubro ainda mais no que sou. Partes que se complementam. 
O interessante é que a matriz de tudo é o "ser". É nele que a vida brota como fonte original. O ser confuso, precário, esboço imperfeito de uma perfeição querida, desejada, amada. 
Vez em quando, eu me vejo no que os outros dizem e acham sobre mim. Uma manchete de jornal, um comentário na internet, ou até mesmo um email que chega com o poder de confidenciar impressões. É interessante. Tudo é mecanismo de descoberta. Para afirmar o que sou, mas também para confirmar o que não sou. 
Há coisas que leio sobre mim que iluminam ainda mais as minhas opções, sobretudo quando dizem o absolutamente contrário do que sei sobre mim mesmo. Reduções simplistas, frases apressadas que são próprias dos dias que vivemos. 
O mundo e suas complexidades. As pessoas e suas necessidades de notícias, fatos novos, pessoas que se prestam a ocupar os espaços vazios, metáforas de almas que não buscam transcendências, mas que se aprisionam na imanência tortuosa do cotidiano. Tudo é vida a nos provocar reações. 
Eu reajo. Fico feliz com o carinho que recebo, vozes ocultas que não publico, e faço das afrontas um ponto de recomeço. É neste equilíbrio que vou desvelando o que sou e o que ainda devo ser, pela força do aprimoramento. 
Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo. Ou porque sou projetado melhor do que sou, ou porque projetado pior. Não quero nenhum dos dois. Eu sei quem eu sou. Os outros me imaginam. Inevitável destino de ser humano, de estabelecer vínculos, cruzar olhares, estender as mãos, encurtar distâncias. 
Somos vítimas, mas também vitimamos. Não estamos fora dos preconceitos do mundo. Costumamos habitar a indesejada guarita de onde vigiamos a vida. Protegidos, lançamos nossos olhos curiosos sobre os que se aproximam, sobre os que se destacam, e instintivamente preparamos reações, opiniões. O desafio é não apontar as armas, mas permitir que a aproximação nos permita uma visão aprimorada. No aparente inimigo pode estar um amigo em potencial. Regra simples, mas aprendizado duro. 
Mas ninguém nos prometeu que seria fácil. Quem quiser fazer diferença na história da humanidade terá que ser purificado neste processo. Sigamos juntos. Mesmo que não nos conheçamos. Sigamos, mas sem imaginar muito o que o outro é. A realidade ainda é base sólida do ser.
 Padre Fábio de Melo 

11 dezembro 2010

Formação: CELIBATO


A GRAÇA DE SER SÓ
(Carta de Pe. Fábio de Melo)
Ando pensando no valor de ser só. Talvez seja por causa da grande polêmica que envolveu a vida celibatária nos últimos dias. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas para os padres. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família.
Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar. Eu também fico indignado, mas de outro modo. Fico indignado quando a sociedade interpreta a vida celibatária como mera restrição da vida sexual.
Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa ao contexto do “pode ou não pode”. A sexualidade é apenas um detalhe da questão. Castidade é muito mais. A castidade é um elemento que favorece a solidão frutuosa, pois nos coloca diante da possibilidade de fazer da vida uma experiência de doação plena.
Digo por mim. Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar não me priva do amor. Eu o descubro de outros modos. Tenho diante de mim a possibilidade de ser dos que precisam de minha presença.
Na palavra que digo, na música que canto e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo. Nunca encarei o celibato como restrição. Esta opção de vida não me foi imposta. Ninguém me obrigou a ser padre e quando escolhi o ser, ninguém me enganou. Eu assumi livremente todas as possibilidades do meu ministério, mas também todos os limites.
Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade. Eu não sou um homem solitário, apenas escolhi ser só. Não vivo lamentando o fato de não me casar. Ao contrário, sou muito feliz sendo quem sou e fazendo o que faço.
Tenho meus limites, minhas lutas cotidianas para manter a minha fidelidade, mas não faço desta luta, uma experiência de lamento. Já caí inúmeras vezes ao longo de minha vida. Não tenho medo das minhas quedas. Elas me humanizaram e me ajudaram a compreender o significado da misericórdia.
E não sou teórico. Vivo na carne a necessidade de estar em Deus para que minhas esperanças continuem vivas. Eu não sou por acaso. Sou fruto de um processo histórico que me faz perceber as pessoas que posso trazer para dentro do meu coração. Deus me mostra. Ele me indica, por meio de minha sensibilidade, quais são as pessoas que poderão oferecer algum risco para a minha castidade.
Eu não me refiro somente ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar em “propriedade privada”. Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas.
Contra a castidade de um padre se peca de diversas formas. É preciso pensar sobre isso. Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo. Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras, nem olhares. Não descobriram a beleza dos detalhes que a castidade sugere. Fizeram sexo demais, mas amaram menos. Faltou castidade, encontro frutuoso, amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho.
É por isso que continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição.
Só se casa aquele que quer! Por isso perguntamos sempre – é de livre e espontânea vontade que o fazeis? – É simples. Castos ou casados ninguém está livre das obrigações do amor. A fidelidade é o rosto mais sincero de nossas predileções.
A graça desça sobre cada um de vocês, meus filhos!
Que Deus lhes abençoe. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
AMÉM!
(a) Padre FÁBIO DE MELLO
Enviado por Beethovem José de Medeiros
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