Como é estranho que tenha sido o jornal The Guardian que compreendeu a magnitude do que aconteceu nesta sexta-feira.
A análise é do jornalista britânico especialista em religião Damian Thompson, editor dos blogs do portal The Telegraph Blogs. O texto foi publicado no portal do jornal The Telegraph, 18-09-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Andrew Brown, editor de religião e possuidor de um intelecto tão poderoso e confuso como o de Rowan Williams, escreve:
Este foi o fim do Império Britânico. Em todos os quatro séculos de Isabel I aIsabel II, a Inglaterra foi definida como uma nação protestante. Os católicos eram os Outros, às vezes terroristas violentos e rebeldes, às vezes meros imigrantes sujos. A sensação de que esta era uma nação especialmente abençoada por Deus surgiu a partir de uma leitura profundamente anticatólica da Bíblia. No entanto, ela foi central para a autocompreensão inglesa quando a rainha Isabel II foi coroada em 1952 [sic], e jurou defender a religião protestante pela lei estabelecida.
Em todos esses 400 e tantos anos, teria sido impensável que um Papa pudesse estar no Westminster Hall e louvar Sir Thomas More, que morreu para defender a soberania do Papa contra a soberania do rei. A rebelião contra o Papa foi o ato fundacional do poder inglês. E agora esse poder se foi, e talvez a rebelião também.
Esse foi, realmente, um dia de eventos impensáveis. Muitos protestantes ficaram perturbados ao ver o Papa Bento XVI no Westminster Hall louvando São Thomas More (que aliás morreu para defender o que ele via como a soberania de Deus).